Zo’é

Esse termo, que significa ‘nós’, é um classificador que diferencia este grupo de pessoas dos grupos não-zo’é, tal como eram considerados os inimigos do passado (Apam ou Tapy´yi) e como são hoje os não-índios (Kirahi). Gradativamente, porém, o nome Zo’é vem sendo apropriado como um etnônimo, que não se sobrepõe, entretanto, às outras denominações utilizadas pelos diferentes grupos que se consideram hoje ‘Zo’é’.

Falantes de uma língua Tupi-Guarani, os Zo’é convivem com agentes de assistência há apenas três décadas. Na década de 1980, foram contactados pela Missão Novas Tribos, que atraiu toda a população numa base instalada no sul do território, onde permaneceram até 1991. Nessa data, a Funai assumiu a responsabilidade da assistência, com um posto em Kejã, no centro da área indígena, onde as ações de proteção variaram sensivelmente ao longo dos anos. Somente em 2009, com a reestruturação da Funai, estabeleceu-se uma política específica para os povos de recente contato, no âmbito da CGIIRC. A Frente de Proteção Etnoambiental Cuminapanema – FPEC, criada em 2011, segue essas novas diretrizes, promovendo a integridade cultural e territorial do povo Zo´é, cuja população praticamente dobrou nos últimos 20 anos.

Os Zo’é subdividem-se em quatro grupos locais, ocupando áreas específicas onde estão suas aldeias antigas e recentes e seus acampamentos. São caçadores, pescadores, agricultores e coletores. Destacam-se em sua alimentação a carne de caça, os derivados de mandioca e a castanha-do-Brasil. O caráter sazonal de recursos importantes no modo de vida conforma a mobilidade das famílias pelo território e repercute nos movimentos de aproximação e distanciamento entre essas famílias.

Nos últimos anos, abriram um número significativo de assentamentos. Esse processo de dispersão está relacionado a vários fatores, entre eles o apoio logístico que recebem da FPEC-Funai e de outros parceiros. As atividades de formação em gestão territorial desenvolvidas pelo Iepé para a construção do PGTA dessa TI, mobilizaram os Zo’é a percorrer áreas onde antes temiam a possível presença de inimigos. A dispersão redunda em vigilância e essa promove incursões em áreas onde há fartura de recursos, como nas margens de rios maiores que os antigos Zo’é não ocupavam tão intensamente.

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