Mosaico da Amazônia Oriental retoma encontros presenciais

Encontro aconteceu em Macapá e foi um importante espaço de diálogo entre organizações da sociedade civil e órgãos governamentais para atualizações. A última reunião dos representantes do Mosaico da Amazônia Oriental havia sido em 2019.

Texto: Thaís Herrero | 14 de junho de 2022

Foi com entusiasmo que os encontros do Mosaico da Amazônia Oriental foram retomados. A última vez que os representantes das organizações que compõem o Mosaico se reuniram presencialmente havia sido em 2019, antes da pandemia da Covid-19.

Mais de 50 pessoas estiveram presentes em Macapá (AP), em um espaço de diálogo e troca de atualizações de suas regiões e iniciativas. Fazem parte do Mosaico povos indígenas do Parque Indígena do Tumucumaque, Rio Paru D’Este, Wajãpi, agricultores familiares da Perimetral Norte, extrativistas, órgãos públicos, gestores de unidades de conservação e organizações da sociedade civil, como o Iepé.

“O Mosaico da Amazônia Oriental é um importante fórum de articulação e diálogo entre o governo e a sociedade civil. E a retomada dos encontros presenciais fortalece os laços em um momento em que precisamos reforçar a proteção das áreas protegidas da Amazônia, assim como o bem-estar e a qualidade de vida da população que vive e depende da floresta preservada”, disse Decio Yokota, coordenador do Programa Gestão da Informação do Iepé.

Decio Yokota, coordenador do Programa Gestão da Informação do Iepé. (Foto: Maria Silveira/ Iepé)

Em sua fala durante o encontro, Decio passou dados atualizados sobre os estudos de contaminação de peixes por mercúrio advindo de garimpos ilegais. O Iepé tem apoiado e divulgado pesquisas sobre o mercúrio nos últimos anos.

O Cacique Edmilson dos Santos Oliveira lembrou a todos das muitas ameaças aos povos indígenas do Amapá, como a retomada do projeto de exploração de petróleo na costa do estado e as mudanças climáticas, que já impactam em seus modos de vida. Edmilson é presidente do Conselho de Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque, é do povo Karipuna e vive na aldeia Curipi.

“Esse ano, as chuvas começaram mais cedo. E as mudanças climáticas estão sendo bem preocupantes e estão afetando nossas roças. Não estamos entendendo bem quando é verão ou inverno”, disse Edmilson.

“Nesse tempo de pandemia, as Terras Indígenas ficaram muito vulneráveis. Sentimos falta da Funai. Pedimos que eles apoiem os povos indígenas. E estamos preocupados com a situação do garimpo, da contaminação dos peixes pelo mercúrio”, completou.

Representantes dos povos indígenas se apresentam no encontro do Mosaico e levantam demandas de proteção de suas terras. (Foto: Maria Silveira/ Iepé)

Os representantes dos wajãpi também destacaram as invasões de na Terra Indígena Waiãpi tanto de garimpeiros quanto de pescadores e madeireiros ilegais. Akitu Wajãpi, Conselheiro do Mosaico pela Apina, relembrou que, além do garimpo, pescadores e madeireiros ilegais estão entrando e explorando recursos da Terra Indígena Wajãpi.

Também estavam no encontro Arlete Pantoja, presidente da Associação de Mulheres Extrativistas Sementes do Araguari, representantes do ICMbio e Secretaria de Meio Ambiente do Amapá, entre outros parceiros.

As áreas protegidas que compõe o Mosaico da Amazônia Oriental são: Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, Floresta Nacional do Amapá, Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru, Floresta Estadual do Amapá, Parque Natural Municipal do Cancão, Reserva Extrativista Beija-Flor Brilho de Fogo, Terra Indígena Wajãpi, Terra Indígena Parque do Tumucumaque e Terra Indígena Rio Paru D’Este.

Participantes do Encontro do Mosaico da Amazônia Oriental (Foto: Maria Silveira/ Iepé)