A roça é a base da vida para os povos indígenas do Oiapoque. Ela reflete a organização social, a cosmologia e a identidade dos quatro povos que habitam a região: Galibi-Marworno, Galibi Kali’na, Karipuna e Palikur Arukwayene. É da roça que vem a farinha de mandioca, alimento presente em todas as refeições, acompanhando o peixe, a caça e o açaí. A farinha também é uma importante fonte de renda para as famílias, que comercializam seus produtos em Oiapoque e em Saint Georges, na Guiana Francesa.
Desde 2022, porém, as roças vêm sendo afetadas por uma praga que causou grandes perdas. Percebemos que o clima tem mudado com as chuvas mais imprevisíveis e o verão que está mais longo e quente, o que impacta diretamente nosso jeito de fazer as roças. Além disso, tivemos diversas mudanças em nossos modos de plantar — como o abandono de rituais tradicionais e dos maiuhi (mutirão) que contribuíram para o enfraquecimento dos nossos plantios que ficaram mais frágeis às doenças, ameaçando nossa segurança alimentar.
Diante desse cenário, temos unido forças para enfrentar a praga. A articulação política realizada junto ao Conselho de Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO) resultou no reconhecimento oficial da situação de emergência pelo Governo do Estado do Amapá. Esse reconhecimento possibilitou a implementação de ações emergenciais, como a distribuição de cestas básicas e a aquisição de farinha para as comunidades mais afetadas.
Essa publicação é uma realização da AMIM (Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão) , em parceria com o Instituto Iepé.