Povos da Amazônia assinam carta contra o garimpo ilegal

“O governo diz que somos pobres, mas nós somos ricos. Nossa riqueza está nas florestas e rios”, diz a carta assinada por lideranças em um encontro durante a mobilização Luta Pela Vida.

Texto: Thaís Herrero | 27 de agosto de 2021

“O governo diz que somos pobres, mas nós somos ricos. Nossa riqueza está nas florestas e rios, que nos dão tudo. A floresta é nossa casa, nosso mercado, nossa farmácia”. Esse é um trecho da carta assinada por lideranças dos povos Kayapó, Munduruku, Yanomami, Ye’kwana e Xikrin. Em um encontro histórico, durante a mobilização Luta Pela Vida, em Brasília, eles se posicionaram contra o garimpo ilegal em suas terras.

Na carta, ressaltam que o garimpo é uma doença trazida pelos brancos para suas terras e que o governo tenta dividir os povos indígenas ao dar destaque a alguns poucos que são favoráveis à atividade ilegal. E que esses “estão ajudando a destruir seu próprio povo”.

“Somos a favor da floresta e do povo brasileiro. Queremos viver bem com saúde, água limpa e comida para todos. Por isso, exigimos que o governo cumpra a ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) e retire os invasores de nossos territórios”, diz a carta. 

Marcha durante a mobilização Luta Pela Vida, em Brasília, em agosto de 2021. Povos indígenas protestaram contra o Marco Temporal e o PL 490, que, se aprovado, irá facilitar a entrada do garimpo em suas terras. Foto: Cícero Bezerra/ @cicerone.bezerra

Entre os que assinaram estão Davi Kopenawa, do povo Yanomami, Megaron Txucarramãe, do povo Kayapó, Alessandra Munduruku e Bebere Xikrin. Eles são importantes representantes de povos que vivem em Terras Indígenas da Amazônia e estão sendo muito afetadas pelo garimpo ilegal.

“Nós não trocamos o ouro pela vida de nossos filhos e netos. O garimpo destrói nossa cultura, nossas florestas, envenena nossos rios, cria conflitos entre nossos parentes e acaba com nossos locais sagrados”, diz o texto.

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Foto topo: Cícero Bezerra/ @cicerone.bezerra