Texto: Maria Silveira
“A juventude organizada, participativa e consciente é fundamental para a continuidade da luta e para o futuro dos nossos povos” – Tânia dos Santos, do povo Galibi-Marworno, coordenadora da OIJO.

Entre os dias 21 e 23 de agosto, a aldeia Galibi, na Terra Indígena Galibi, recebeu a 8ª Assembleia da Organização da Juventude Indígena do Oiapoque (OIJO). O encontro deu continuidade ao processo de organização coletiva dos jovens dos povos Karipuna, Palikur Arukwayene, Galibi Kali’na e Galibi Marworno, que vem se fortalecendo ao longo dos últimos anos.
“Quando falamos de uma assembleia da juventude, estamos nos referindo a um espaço onde os jovens podem se expressar, apresentar suas preocupações e refletir sobre o futuro dos nossos povos. É também uma oportunidade para construir uma programação dinâmica e acolhedora, promovendo momentos de integração entre participantes das quatro regiões: Uaçá, Curipi, Urucawá e Oiapoque”, completa Tânia.
O encontro deste ano reuniu jovens das diferentes regiões para troca de experiências, gincanas, atividades culturais e também para discutir o papel da juventude no movimento indígena e os desafios enfrentados pelas comunidades.

Mesas temáticas
A programação começou com uma discussão sobre cultura indígena e políticas públicas, com representantes do Museu Kuahí e do Conselho Estadual de Cultura. Entre os temas discutidos, pautaram o desafio do acesso a editais da cultura, a importância da criação de portfólios para artistas indígenas e a necessidade de realizar formações nas aldeias para facilitar a elaboração de projetos e inscrições. A Assembleia também encaminhou a construção de uma carta com demandas da juventude e dos artistas indígenas.
Na mesa “Nossa roça no presente e no futuro”, a Associação das Mulheres Indígenas de Oiapoque (AMIM) também participou do encontro e apresentou as ações desenvolvidas para o enfrentamento da praga vassoura-de-bruxa da mandioca, que vem afetando as plantações de mandioca nas Terras Indígenas do Oiapoque.
A trajetória da própria OIJO e a participação dos jovens no movimento indígena foram tema da mesa “Nossa história, nossa organização: juventude no movimento indígena”, com a participação de Luene Karipuna, coordenadora da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (APOIANP), e de Priscila Karipuna, coordenadora regional da Funai. Ambas iniciaram sua atuação no movimento indígena ainda na juventude.

“Os jovens devem aprender com os erros do passado para não os repetir no futuro.” Com essa reflexão de Domingos Santa Rosa, Luene destacou a importância da participação da juventude e da continuidade das lutas construídas pelas gerações anteriores. Ao recordar lideranças que marcaram a trajetória do movimento indígena, ela reforçou a necessidade de preservar os ensinamentos deixados pelas gerações mais velhas e fortalecer o protagonismo dos jovens.
Priscila Karipuna ressaltou a importância da presença indígena nas universidades e incentivou os jovens a ocuparem diferentes espaços de formação e atuação. “Os encontros são espaços para fortalecer o movimento indígena. A juventude precisa participar das reuniões nas comunidades, apoiar suas lideranças e ocupar os espaços conquistados, inclusive nas universidades”, destacou.
Priscila e Luene ainda chamaram a atenção sobre os riscos da comunicação digital, como a disseminação de informações falsas, o uso indevido de imagens de indígenas nas redes sociais, a exposição a conteúdos inadequados e os crimes cibernéticos.

A diversidade LGBTQIA+ foi tema da discussão liderada por Noel Henrique e Dieimison Sfair, que apresentaram o coletivo LGBT Sukuiãiã (vagalumes) para ampliar os espaços de diálogo e inclusão dentro do movimento indígena e dos territórios de Oiapoque.
A programação também incluiu debates sobre política e representação indígena. Já profissionais do DSEI Amapá e Norte do Pará conversaram com os jovens sobre saúde mental, saúde sexual e o acesso aos serviços de saúde.
Durante as noites culturais, os participantes puderam visitar a exposição de artesanatos, acompanhar as performances de Mãe Terra e do coletivo SUKUIÃIÃ e participar do desfile de casais das diferentes regiões. A Assembleia também teve a exibição e uma roda de conversa sobre o filme “O Silêncio da Floresta”, produção que vem sendo construída com a participação de jovens comunicadores indígenas.

Nova coordenação da OIJO
Durante a assembleia realizou-se a eleição da nova coordenação da OIJO. Tânia Campos foi escolhida para a coordenação geral e Fernando Forte, da aldeia Espírito Santo, foi eleito vice-coordenador. Também foram apresentados representantes das regiões de Uaçá, BR-156, Rio Oiapoque e Curipi. A região Urukawá escolherá um representante em outro momento.

A nova coordenação assume a tarefa de dar continuidade ao processo de organização da juventude indígena do Oiapoque, articulando as diferentes regiões e fortalecendo a participação dos jovens nas discussões e decisões do movimento indígena.
*Essa atividade foi realizada com apoio do Instituto Iepé, no âmbito do projeto “Parcerias para um futuro com participação social e florestas em pé no Amapá e norte do Pará”, da Rainforest Noruega.


