Iepé recebe status de organização observadora na COP 26

Durante a COP26, marcada pela presença e pelo protagonismo dos povos indígenas, foi aprovado o status do Iepé como organização observadora da UNFCCC

Texto: Iepé | 03 de novembro de 2021

O Iepé – Instituto de Pesquisa e Formação Indígena recebeu durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP26) o status de organização observadora da Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudanças do Clima (UNFCCC).

Meses atrás, o Iepé também havia recebido o status de entidade consultiva especial, recomendada pelo Comitê de ONGs ao Conselho Econômico e Social (ECOSOC) das Nações Unidas.

O status de organização observadora na UNFCCC foi concedido a partir do trabalho do instituto enquanto responsável pela Secretaria Executiva da Rede de Cooperação Amazônica (RCA). E a admissão concede ao Iepé o direito de nomear representantes para as conferências da UNFCCC, incluindo a possibilidade de realização de eventos paralelos e exposições.

O secretariado da UNFCCC deu boas-vindas ao Iepé em comunicação oficial, destacando que aguarda o envolvimento e colaboração de suas Organizações Observadoras nos processos da Convenção.

Deputada Joênia Wapichana junto à delegação da RCA: Maurício Y’ekuana, Sinéia do Vale e Jéssica Nascimento (Foto: Divulgação)

A RCA é uma rede de cooperação formada por 14 organizações indígenas e indigenistas da Amazônia brasileira. Desde 2015, tem apoiado a participação de lideranças indígenas nas Conferências Mundiais do Clima (COPs) e nas reuniões técnicas da UNFCCC, entre elas as voltadas à implementação da Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas, estabelecida pelo Acordo de Paris, em 2015.

A COP26 já está sendo marcada pela maior participação de povos indígenas, um protagonismo inédito e importante diante dos desafios que temos para proteger o clima do planeta e proteger as florestas. São os povos indígenas os guardiães das áreas preservadas tanto no Brasil quanto em outros países.

Maurício Y’ekuana e Alessandra Munduruku, que está pela delegação da COIAB e também tem apoio da RCA. (Foto: Divulgação)

Delegações na COP26

A delegação da RCA na COP 26 é formada por duas lideranças indígenas experientes em incidência internacional: Sinéia do Vale, do povo Wapichana, coordenadora de gestão territorial e ambiental do Conselho Indígena de Roraima-CIR, e Maurício Y’ekuana. Ele é diretor da Hutukara Associação Yanomami.

A delegação conta com o apoio técnico e logístico da Secretaria Executiva da RCA para esta participação na COP26 e com o financiamento da Fundação Rainforest da Noruega, da Fastenopfer da Suíça e o apoio CAFOD.

Junto com Sinéia e Maurício, viaja para Glasgow a jovem advogada indígena Jéssica Nascimento, também do povo Wapichana, gestora ambiental do CIR, que, com o apoio adicional da Nia Tero, compõe a delegação da RCA na COP 26.

O grupo somará esforços de representação e incidência na COP26 junto às outras lideranças indígenas apoiadas pela COIAB e APIB, configurando uma delegação indígena do Brasil com cerca de 40 pessoas. 

A RCA apoia, ainda, a participação na COP26 de mais duas mulheres do movimento indígena do Brasil, Alessandra Munduruku, da delegação da COIAB, e Célia Xakriabá, da APIB.

Saiba mais sobre a participação da Rede de Cooperação Amazônica na COP26.

(*Foto topo: Evento realizado pela RCA junto ao Observatório do Clima no Brazil Climati Hub, a COP26)