Iepé e indígenas se reúnem com professores para troca de experiências

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Lideranças conversaram com representantes de instituições de ensino para saber mais sobre a formação de Agentes Ambientais indígenas e profissionais de nível superior

Lideranças conversaram com representantes de instituições de ensino para saber mais sobre a formação de Agentes Ambientais indígenas e profissionais de nível superior

Texto: Renan Reis | 29 de abril

No dia 7 de abril, o Iepé esteve junto a lideranças dos povos Puyanawa, Shanenawa, Kaiabi, Suya, Wajãpi, Dessano e Karipuna em uma reunião em Boa Vista (RR) com representantes da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e do Instituto Federal de Roraima (IFRR), campus Amajari. O objetivo foi apresentar a experiência de formação de indígenas na área de proteção territorial, saúde e educação indígena por meio do Insikiran – Instituto de Formação Superior Indígena e do IFRR. 

As lideranças indígenas puderam conhecer as instituições presentes em Roraima e suas principais ações para potencializar a proteção dos territórios indígenas. Depois do encontro, tiveram a missão de levar esse conhecimento para seus territórios. 

Eles são representantes e agentes socioambientais indígenas do Acre, Amapá, Amazonas e Mato Grosso, membros das organizações da rede AMAAIAC, ATIX, Apina, AMIM e FOIRN. Essas organizações, por sua vez, fazem parte da Rede de Cooperação Amazônica (RCA).

Momentos da conversa entre povos indígenas e representantes da Universidade Federal de Roraima (Foto: Renan Reis/Iepé)

Por parte das instituições de ensino, estavam presentes os membros do Insikiran, entre professores, pesquisadores, alunos e o Reitor da Universidade. 

Os professores Luiz Otávio Pinheiro da Cunha e Herundinho Ribeiro do Nascimento Filho falaram sobre a história de criação do Insikiran e do curso de Gestão Territorial oferecido pela instituição. Já o professor Luís Felipe Paes de Almeida falou sobre a formação em Agroecologia e como ela integra a perspectiva de proteção territorial do instituto. 

O professor Reinaldo Oliveira, egresso do curso de Gestão Territorial, trouxe à conversa as experiências de construção de Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) em Roraima. Ele salientou que a experiência dos Wai Wai, com apoio dos parceiros Iepé – Instituto de Pesquisa e Formação Indígena e do Conselho Indígena de Roraima, concretizou a construção de PGTAs em todo o estado de Roraima. 

O desenho de PGTAs vem sendo uma importante ferramenta para promoção da governança socioambiental dos territórios indígenas e essas experiências vêm sendo refletidas e apoiadas pelo Insikiran. Leia mais sobre esse Planos de Gestão em nosso livro (LINK).

Já Luiz Otávio e Priscilla Cardoso, também professora, falaram sobre a experiência do instituto na formação de Agentes Ambientais indígenas para ajudar na viabilização dos PGTAs construídos pelas organizações indígenas e indigenistas. Essa experiência também é fomentada pelo IFRR, conforme salientado por Perlangela do Nascimento Cunha, professora e diretora do Campus Amajari.

Confraternização de todos que participaram da reunião (Foto: Renan Reis/Iepé)

Renan Reis, assessor indigenista do Programa Tumucumaque do Iepé, representou o instituto levando sua experiência na construção de PGTAs e na formação de Agentes Ambientais Indígenas no estado de Roraima. 

Após a reunião, todos se dirigiram para um encontro no Lago Caracaranã com a Deputada Estadual Joênia Wapichana (REDE) para discutir a regularização dos Agentes Ambientais Indígenas, importante categoria profissional para a implementação das políticas territoriais voltadas aos povos indígenas. 

O debate levantado por Joênia Wapichana veio em momento oportuno, uma vez que as experiências de espaços como o Insikiran e o IFRR – Campus Amajari indicam caminhos possíveis para o desenvolvimento de políticas públicas adequadas às necessidades dos povos indígenas. 

A proteção de um território e a garantia de direitos indígenas exige o devido reconhecimento dos territórios indígenas e a implementação de políticas públicas nas mais diversas áreas para que os povos indígenas tenham sua soberania e autonomia para desenvolver políticas e projetos que lhes beneficiem. Conforme o professor Luiz Otávio, “proteção territorial é tudo, ambiente, cultura, educação, saúde e etc”. É justamente nessa interseção das dimensões do bem viver insdígena que atuam os Agentes Indígenas Ambientais, por isso a importância desses intercâmbios e articulações.

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