Amim e Sementes do Araguari recebem prêmio “Guardiãs da Sociobiodiversidade”

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Organizações apoiadas pelo Iepé estão entre as iniciativas reconhecidas pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima por sua atuação na proteção dos conhecimentos tradicionais e da sociobiodiversidade brasileira.

Texto: Maria Silveira

Associadas da AMIM, Sementes do Araguari e equipe do Iepé em intercâmbio em Porto Grande (Foto Maria Silveira – Iepé)

A Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão (AMIM), do Oiapoque (AP), e a Associação de Mulheres Extrativistas Sementes do Araguari, de Porto Grande (AP), estão entre as organizações selecionadas na segunda edição do Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), por meio do Fundo Nacional para a Repartição de Benefícios.

A premiação reconhece iniciativas que atuam na conservação da biodiversidade, na valorização dos conhecimentos tradicionais e na proteção do patrimônio genético brasileiro. Ao todo, serão contempladas organizações de povos indígenas, povos e comunidades tradicionais, agricultores familiares e instituições de pesquisa que desempenham papel fundamental na manutenção da sociobiodiversidade do país.

A cerimônia de premiação será realizada no dia 17 de junho, em Brasília.

Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão (AMIM)

A AMIM foi uma das 13 organizações selecionadas na categoria Populações Indígenas. Formada por mulheres dos povos Karipuna, Galibi Marworno, Galibi Kali’na e Palikur-Arukwayene, a associação atua há 20 anos na valorização e preservação dos conhecimentos tradicionais associados à agricultura indígena no Oiapoque. Hoje, a AMIM, tem cerca de 300 associadas.

Assembleia AMIM 2024. (Foto: Acervo AMIM)

Entre suas iniciativas estão oficinas de troca de saberes agrícolas, levantamento e documentação de variedades tradicionais de mandioca, resgate de técnicas de cultivo e fortalecimento das redes de troca de manivas entre as comunidades indígenas da região. A associação também desenvolve ações relacionadas ao uso de plantas medicinais, monitoramento ambiental e valorização cultural dos conhecimentos tradicionais. 

Segundo Irene Batista Felicio, presidente da AMIM, o reconhecimento confirma  a importância do protagonismo indígena na conservação da natureza.“A AMIM atua na proteção dos saberes tradicionais e foi criada a partir da força e união das mulheres indígenas de Oiapoque. Esse reconhecimento reforça o papel fundamental dos indígenas na conservação da natureza e na proteção do conhecimento tradicional associado ao cuidado com o nosso território, defendendo a vida. Com o apoio dessa premiação, vamos dar continuidade aos nossos projetos e seguir juntas, fortalecendo nossa rede de apoio e nossa autonomia”, afirma Irene.

Sementes do Araguari

Na categoria Povos e Comunidades Tradicionais, a Associação de Mulheres Extrativistas Sementes do Araguari foi uma das 13 organizações selecionadas.

Formada por mulheres ribeirinhas e extrativistas que vivem no território do Alto Rio Araguari, a associação atua em áreas da Floresta Estadual do Amapá (Flota) e da Floresta Nacional do Amapá (Flona), promovendo o manejo sustentável de recursos da floresta e a valorização dos conhecimentos tradicionais.

Lançamento do Protocolo Biocultural Sementes do Araguari, 2025. (Foto: Maria Silveira/ Iepé)

Para Arlete Pantoja Leal, presidente da associação, a premiação representa o reconhecimento de uma trajetória construída coletivamente. “Nós, enquanto mulheres, estamos muito orgulhosas do nosso trabalho. É um prêmio que vai dar continuidade e fortalecer ainda mais o nosso trabalho enquanto comunidade e enquanto mulheres ribeirinhas. Essa conquista veio em boa hora e vai contribuir para fortalecer ainda mais a Associação Sementes do Araguari”, disse Arlete.

A Associação reúne atualmente 68 associadas e associados que trabalham com o beneficiamento de produtos como andiroba, pracaxi, copaíba e açaí para a produção de biocosméticos. Parte desse trabalho está registrada no Protocolo Comunitário Biocultural, elaborado coletivamente pelas extrativistas para proteger seus conhecimentos tradicionais, seus direitos e suas formas próprias de manejo dos recursos naturais.

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