Programa Grande Tumucumaque

Desde 2024, o Iepé e o Imazon, junto a Organizações Indígenas locais (Apitikatxi, Apiwa e Tekohara), desenvolvem uma iniciativa denominada “Programa Grande Tumucumaque”, em parceria com a Funai e Ideflor-Bio, instituições legalmente responsáveis pelas Terras Indígenas (TIs) Parque do Tumucumaque, Rio Paru d’Este e Zo’é, e Unidades de Conservação (UCs) Estaduais ESEC Grão-Pará e REBIO Maicuru.

Essas cinco áreas protegidas somam cerca de 10 milhões de hectares e são o maior conjunto conectado de florestas tropicais protegidas no mundo. Elas integram o escopo dos 15 programas de conservação de Paisagens Legadas eleitas ao redor do mundo, por meio de editais apoiados pelo fundo Legacy Landscape Fund (LLF) e seus parceiros públicos e privados.

O recorte oficial do Programa Grande Tumucumaque atende aos pré-requisitos do Legacy Landscapes Fund (LLF) para que um território seja reconhecido como uma Paisagem Legada. Por isso, essa área possui limites definidos em termos de composição e extensão. Isso, no entanto, não significa que as áreas protegidas vizinhas e os povos que nelas vivem estejam excluídos das ações do programa.

Área do programa (Erica Bettiol)
Portfólio de Paisagens Legadas do LLF (LLF, 2024)

Estas cinco áreas protegidas (três TIs e duas UCs) situam-se no interior de um mosaico mais amplo, que inclui o vizinho Território Wayamu, composto por quatro TIs — Trombetas-Mapuera,  Nhamundá-Mapuera, Kaxuyana-Tunayana e Ararà (em processo de demarcação) —, além de três territórios quilombolas, duas UCs federais e oito UCs estaduais, totalizando mais de 22 milhões de hectares.

Por isso, um dos objetivos dessa iniciativa é promover alianças entre os atores e instituições deste conjunto mais amplo de áreas protegidas, visando o planejamento de ações conjuntas ao nível de mosaico, com a perspectiva de seu reconhecimento, pelo Ministério do Meio Ambiente, como “Mosaico de Áreas Protegidas do Norte do Pará”.

O programa se estrutura em três objetivos prioritários:

Proposta de territórios que comporão o mosaico (Imazon)

Apoiar a gestão compartilhada do conjunto mais amplo de áreas protegidas que abrangem e circundam a região o Grande Tumucumaque, 22 milhões de hectares contínuos, o Mosaico de Áreas Protegidas do Norte do Pará. A ideia é consolidar essa grande área como um grande corredor ecológico, criando um espaço de diálogo entre diferentes atores para identificar ameaças, planejar e implementar, juntos, soluções de conservação, adaptação e proteção da floresta.

 Apoiar a implementação dos Planos de Manejo das unidades de conservação, com ações como o monitoramento da biodiversidade e atividades de educação ambiental.

Fortalecer a implementação dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) das terras indígenas, valorizando o protagonismo dos povos indígenas e suas associações na gestão de seus territórios. Isso inclui o apoio a ações de vigilância, desenvolvimento de cadeias produtivas sustentáveis, atividades de formação em gestão, estratégias para lidar com as mudanças climáticas e construção de alianças com outros povos e Unidades de Conservação da região.

Diagnóstico da Biodiversidade na ESEC Grão Pará, realizado em 2008 (Foto: Adriano Gambarini/Imazon)

Prevista para durar 15 anos, a iniciativa espera fortalecer os laços entre todas as instituições e atores sociais envolvidos na gestão sustentável da região.

O financiamento é do Legacy Landscapes Fund (LLF), com cofinanciamento da Nia Tero.

Saiba mais em vídeo no canal do Iepé:

Confira aqui o vídeo gravado durante o lançamento do Programa, em 2024, em Santarém (PA):

Saiba mais em vídeo no canal do Iepé:

Confira aqui o vídeo gravado durante o lançamento do Programa, em 2024, em Santarém (PA):

O Grande Tumucumaque

O Grande Tumucumaque é como denominamos a paisagem conformada por duas unidades de conservação (a Reserva Biológica Estadual de Maicuru e a Estação Ecológica Estadual Grão Pará) e três terras indígenas (Parque do Tumucumaque, Rio Paru d’Este e Zo’é), localizadas no norte do estado do Pará, na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa e o Suriname.

A região forma o maior conjunto conectado de florestas tropicais protegidas no mundo, com cerca de 10 milhões de hectares. É uma das áreas mais megadiversas do planeta, lar de inúmeras espécies endêmicas (específicas da região) e ameaçadas de extinção, o que torna sua proteção fundamental para a manutenção da biodiversidade global.

Também é a área de vida de diversos povos de língua Karib e Tupi, incluindo indígenas de recente contato e isolados, cujos modos de vida estão intimamente ligados à floresta. Por isso, a gestão integrada entre territórios indígenas e unidades de conservação é estratégica para proteger essa paisagem legada.

Celebração em encontro de mulheres do Tumucumaque (Foto: João Bourroul/Iepé)

“Falo em nome das mulheres do Grande Tumucumaque. Nós tomamos a iniciativa de preservar nossas florestas e nossos rios, protegendo e cuidando deles à nossa maneira. Estamos muito felizes com esse grande apoio que nos dá esperança de que tudo continuará protegido para as futuras gerações”.

(Foto: João Bourroul/ Iepé)
(Foto: João Bourroul/ Iepé)

“Esse Programa é uma conquista histórica. Em 20 anos de Apitikatxi, a gente sempre correu atrás de parceria e de recursos. O caminho foi longo, a gente trabalhou muito pra chegar até aqui. É um programa de 15 anos que vai apoiar na implementação do nosso PGTA e muitas coisas boas vão surgir”.

Sobre as organizações da aliança:

Organização não governamental e sem fins lucrativos fundada em 2002. Sua missão é contribuir para o desenvolvimento cultural, político e sustentável das comunidades indígenas nos territórios brasileiros localizados no Amapá, no norte do Pará e nas divisas com Roraima e Amazonas. Seu objetivo é fortalecer as formas de gestão comunitária e coletiva, para que os direitos desses povos sejam respeitados.

Instituto Homem e Meio Ambiente da Amazônia, instituição científica amazônida cuja missão é promover a conservação e o    desenvolvimento sustentável na Amazônia. Para isso, realiza pesquisas e projetos de campo para produzir e aplicar soluções baseadas na natureza para melhorar a qualidade de vida não apenas da população amazônica, mas também brasileira e mundial.

Associação dos Povos Indígenas Tiriyó, Katxuyana e Txikiyana, fundada em 2004 e gerida pelos povos indígenas do lado oeste da TI Parque do Tumucumaque.

Associação dos Povos Indígenas Wayana e Aparai, fundada em 2010 e gerida pelos povos indígenas do lado leste da TI Parque do Tumucumaque e da TI Rio Paru D’este.

Fundada e gerida pelo povo indígena Zo’é, que vive na TI Zo’é.

Fundação Nacional dos Povos Indígenas, órgão indigenista oficial do Estado brasileiro.

Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará, entidade de direito público que busca exercer a gestão das florestas públicas visando a produção sustentável e a preservação da biodiversidade.

ONG dos EUA que trabalha ao lado de povos indígenas ao redor do mundo para apoiar seus esforços de proteção de seus territórios.

Fundo internacional público-privado, criado como uma fundação independente em 2020, para apoiar a natureza, as pessoas e o clima.

Saiba mais sobre os povos indígenas abrangidos pelo Programa:

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