Cuidando das roças: Iepé lança animação sobre prevenção e combate à vassoura-de-bruxa da mandioca

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Vídeo educativo, com versões nas línguas indígenas aparai e tiriyó, apresenta orientações para identificar o problema e fortalecer seu enfrentamento junto às comunidades

Texto: Angélica Queiroz

(Animação: Ruth Takiya e Edu Paiva) 

Desde 2024, a vassoura-de-bruxa da mandioca vem afetando povos indígenas do Amapá e Norte do Pará. A praga ameaça um dos principais cultivos da região, a mandioca, alimento presente no cotidiano das comunidades e base de diversos preparos e bebidas tradicionais, como farinha, beiju e caxiri. Diante dos impactos na segurança alimentar das aldeias, o Iepé vem apoiando diferentes estratégias de prevenção, manejo e enfrentamento do problema. Agora, em parceria com as organizações indígenas das Terras Indígenas Parque do Tumucumaque e Rio Paru d’Este, lança uma animação educativa sobre o assunto.

O vídeo tem versões nas línguas indígenas tiriyó e aparai e foi produzido com apoio da Associação dos Povos Indígenas Tiriyó, Katxuyana e Txikiyana (APITIKATXI) e da Associação dos Povos Indígenas Wayana e Aparai (APIWA), organizações indígenas do Complexo Tumucumaque, território afetado pela doença desde o ano passado.

Indígenas indicados pelas duas organizações participaram da tradução e da narração dos áudios nas principais línguas faladas na região, em colaboração com a equipe do Iepé. A iniciativa espera contribuir para ampliar o acesso às informações nas aldeias e fortalecer a circulação de conhecimentos entre as comunidades.

“Técnicas novas e tradicionais”

O projeto foi idealizado pela assessoria do Programa Tumucumaque-Wayamu, em parceria com a área de comunicação do Iepé. “Nosso objetivo é promover um entendimento da dinâmica do problema, explicando sobre o ciclo de vida do fungo e outras interações ecológicas existentes no roçado e pensarmos, em conjunto, estratégias para enfrentá-lo, combinando técnicas novas e tradicionais”, comenta o assessor do Iepé, João Covolan.

“Um roçado diverso, crescendo em um solo cheio de microrganismos, com uma ciclagem de nutrientes bastante dinâmica, fornece melhores condições para o desenvolvimento sadio daquilo que foi plantado, mesmo com o fungo potencialmente presente naquele ambiente”, completa o assessor, que trabalha junto às comunidades indígenas no manejo das roças, por meio do projeto Solo Vivo, que realiza atividades nas aldeias do Complexo Tumucumaque desde 2022.

O assessor destaca que o trabalho conjunto já tem gerado resultados promissores no lado leste, com plantios experimentais de diversas variedades de manivas, que vêm apresentando bom desenvolvimento. Os plantios incluem preparo da área, preparo das manivas e aplicação periódica de soluções, como biofertilizantes. A expectativa, segundo ele, é que, com a animação, as práticas propostas ganhem maior adesão das pessoas.

A animação

A animação explica o que é a doença, causada por um fungo, e mostra como ela se espalha pelas plantas e pelas roças. Em seguida, apresenta recomendações práticas de prevenção e manejo, como o monitoramento constante das plantações, o corte adequado e a queima das plantas contaminadas, além da higienização correta de ferramentas, calçados e roupas utilizados nas roças. 

O vídeo orienta ainda sobre o tratamento fitossanitário das manivas antes de novos plantios, bem como a preparar a “água de vidro”, solução que ajuda a mandioca a rebrotar com mais saúde, até o momento da colheita. Também convida quem assiste a refletir sobre os cuidados que os antigos tinham com as roças e o que podem aprender com os parceiros.

Disponível no Youtube do Iepé, a animação também está sendo divulgada em grupos de Whatsapp com os indígenas e deve ser exibida em assembleias, reuniões e oficinas. Para além do Tumucumaque, os vídeos devem ser compartilhados na região do rio Trombetas, dentro do Território Wayamu, onde também há muitos falantes de tiriyó.

Confira abaixo:

A animação foi produzida pelo Iepé, com apoio da APITIKATXI, da APIWA e da Nia Tero.

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